Inspira-me, M.J.


 


M.J., essa ninfa do Mondego, anda a querer inspirar a blogosfera. Eu, que até acho piada à M.J., decidi fazer uma pausa nesta minha letargia, e aderir ao inspira-me de hoje.


 


Querida Rabanada:


Esta era a última coisa que te queria dizer mas não és como as outras, aquelas que a minha avó de olhos azuis, como cristais de gelo, fazia. És boa. És. Fofa, de lamber o açúcar dos beiços e dos dedos, mas não és como as outras. As da minha avó eram mágicas, tinham uma textura única, embebidas em leite e ovos no ponto certo, sem mais nem menos. Desconfio que ela punha uma pinga de Vinho do Porto, a minha avó adorava um bom cálice de Porto, docinho. As rabanadas dela eram únicas e ficarão sempre na minha memória. Simbolizam o pouco que o Natal tinha para mim de bom: as rabanadas da avó Aurora. 


Tu és boa, eu ponho-te o dente, e lambo-te o açúcar com canela, numa gula devassa. Mas o pensamento está longe, nas outras que comia com verdadeiro prazer, ainda inocente, de criança em noite de natal. Tu és boa e eu como-te, mas estou a pensar nas outras que outrora comi.


O problema não és tu, sou eu. Nunca mais terei as rabanadas da minha avó, e são elas que procuro nas outras, e as que mais desejo.


 


 


 

Comentários

  1. Aahahhaah muito bom, e sim, eu partilho do mesmo sentimento, rabanadas como as da avó não existe já.

    ResponderEliminar
  2. agora fiquei nostálgica pá. e a minha avó fazia-as com vinho. do carrascão!

    ResponderEliminar
  3. Venham as rabanadas que vierem, as das avós são únicas 

    ResponderEliminar
  4. Também lhes punha vinho? Ah as avós da aldeia têm um Q de especial. 
    A minha avó gostava de molhar o pão duro em vinho para comer. Ah ah ah Já não se fazem avós assim. 

    ResponderEliminar
  5. Ninguém as faz melhor. Que saudades!!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Convido-te a partilhar