Inspiro, respiro, não piro

Na minha conta Wook tenho uma lista de compras com 20 registos. 21, se contarmos com o último de Isabel Allende, que já me foi prometido para o Natal.  


Em casa, a minha estante tem a prateleira da vergonha, como carinhosamente lhe chamo: repleta de livros que ainda não li e esperam a sua vez, impávidos e serenos, com as lombadas silenciosas, quietas, que me inquietam o sossego, sempre que os meus olhos lá pousam.


Houve tempos em que devorava livros. Houve um tempo em que mal lia. Agora vivo o tempo em que o tempo para ler não é só o que é marcado pelos ponteiros do relógio. Há o nosso tempo interior. Ontem, quando finalmente me sentei em modo descanso, sentia-me tão dormente, tão torpe, que me foi mais fácil ficar a ver uma série que passava na tv, do que pegar no livro que me acompanhou até ao sofá. 


Olhei, vencida, a estante. O meu orgulho que ostenta os livros lidos, a minha vergonha que tenta ocultar os não lidos. A minha ansiedade de ler os 21 que estão na lista de compras, sem contar com outros que vou anotando mentalmente, fruto das newsletters que recebo com novidades e lançamentos, fruto de opiniões que vou lendo em alguns blogs. E ainda os que gostaria de reler. 


Suspiro profundo, vergada pela correria do quotidiano tão cheio, tão desgastante, tão nada. 


 

Comentários

  1. Ando a ler o teu presente de aniversário.
    Não sei se é a "melhor altura", mas não consegui virar-lhe costas...


    Depois desse? Só tenho mais 6 por ler, em toda a casa...

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  2. É a melhor altura, sim. Porque como te disse, são histórias de pessoas tão reais como nós, de vidas sofridas, com altos e baixos, com perdas dolorosas... mas onde vemos que é possível suportar-se tantas provações. Histórias onde o amor pelos gatos e tudo aquilo que eles nos dão são presença constante e lição de vida. Espero que te inspire. 

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