É inacreditável. E estupidamente absurdo!


Vejo um pai a dar água ao filho pequeno. Vejo uma família a sair de um jogo de futebol. Três gerações: avô, pai e filhos menores. Não estavam no meio da confusão, não estavam a fazer nada de mais que não fosse estarem junto a um muro e um pai a tratar do filho de 9 anos. Não vejo cuspidela, não vejo agressão, quando muito imagina-se um pai cansado de todo o ambiente confuso, preocupado com a segurança dos seus, e farto de ouvir o polícia a implicar e acabou a responder-lhe torto. Se disse um "vai pra puta que te pariu" ou mandou o agente "para o caralho", sim é possível, não é exemplo que se dê aos filhos, mas estas palavras naquele contexto apenas refletem o cansaço de um chefe de família que quer levar os seus para a segurança do lar. Nada, absolutamente nada nas imagens justifica a descarga violenta daquele agente da PSP, que derruba a criança, que bate no pai e ainda dá dois murros a um idoso. É aflitivo ver o vídeo e ver o desespero daquela criança, desespero bem perceptível no seu choro, nos seus gritos, nos calções que ficam molhados, tal foi o pânico que aquela criança viveu. 


O futebol não tem de ser isto. Não deve. E quando se quer erradicar os comportamentos violentos dos estádios, apelando a que as famílias vão aplaudir a sua equipa, não é isto que se espera ver: violência por parte daqueles que, supostamente, estão ali para proteger precisamente as famílias que foram ver um jogo da sua equipa. 


Não aceito os comentários cínicos que se ouvem, como se aquela família estivesse a pedi-las porque levaram as crianças ao estádio. A sério? Faz lembrar os que argumentam que as mulheres por usarem uma mini-saia estão a pedir para serem violadas. É a estupidez em cima da estupidez. Ver um jogo de futebol, seja de que equipa for, é uma festa de família. É um momento de partilha e diversão entre pais e filhos, porque não avós também. 


Critica-se tanto a violência despoletada pelas claques e depois vemos esta violência, vergonhosa, gratuita, sem qualquer justificação, vinda da própria polícia. Quem são afinal os "hooligans"?!


 

Comentários

  1.  Ouvi, num programa de rádio, ter sido pedido a José Cardoso Pires para se pronunciar sobre a brandura de costumes dos portugueses, ideia que ele não partilhava e mais disse : " o português, na posse de um pequeno poder é implacável!" Eu próprio poderia aqui descrever inúmeros episódios que o provariam. Sendo, na juventude, muito magrinho, tímido e inseguro era alvo perfeito para tudo que era contínuo, guarda de museu, segurança, porteiras, caixeiras e criados de mesa e outros que tais. Refiro é o talento que a ralé tem para detectar vítimas.

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  2. É impossível ficar indiferente às imagens.
    Também não consigo ver nada que possa ter levado a policia a cometer aquele acto.
    Caramba eu no meu emprego levo arranhadelas, mordidelas, tareia e não é por isso que vou fazer o mesmo. E ainda mas neste caso não se vê nada disso da parte do homem.

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  3. este polícia é um animal e até estou a ser delicado no adjectivo porque não vou dizer palavrões em blogs que visito pela primeira vez embora tenha vontade de dizer o que este polícia merece ser chamado, mas acho que a mãe deste senhor deveria de ter tido uma profissão capaz e honesta e mesmo que tivesse alguma ligação a uma profissão que é designada como a mais antiga do mundo não tem a culpa que o filho se tenha tornado numa besta

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  4. Muitos parabens pelo teu destaque,foi super bem merecido!! Quanto a isso,há que entender que há muita injustiça e guerra no mundo!!

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  5. É curioso porque nas verdadeiras lutas somos um povo de brandos costumes, ou panhonhas mesmo. Comemos e calamos, reclamamos, fazemos anedotas, mas a verdadeira luta, dá trabalho e chatices. Alguém há-de resolver - é a postura.
    Há um longo caminho na educação e cultura de um povo, mas casos como o divulgado na semana passada, dos adolescentes da Figueira da Foz, fazem-me crer que o percurso para uma melhoria significativa de costumes sociais é bem mais longo e penoso. Triste. Muito triste mesmo. 

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  6. Se o fizesses no teu trabalho, ainda que fosse por legítima defesa, de certeza que eras despedida na hora, com justa causa. É a hierarquia de poderes, e como já aqui foi comentado, há quem se transforme num tirano quando tem poder sobre alguém. Teremos evoluído cultural e socialmente? Com os últimos acontecimentos mediáticos de violência que temos assistido, incluindo este, faz-me pensar que não. No fundo somos todos uns homens das cavernas que resolvem tudo à mocada. 

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  7. Os palavrões fazem parte da língua e nem mesmo o acordo ortográfico os erradicou. 
    Quanto ao polícia, nem há palavras que descrevam o nojo e a revolta que as imagens nos despertam. Falta de ética, de profissionalismo, uma besta na essência do conceito. 
    Ontem vi a reportagem sobre a destruição e roubos no estádio. A pergunta frequente era: onde estava a polícia? Pois... estava cá fora a bater em famílias que só queriam sair da confusão do estádio e ir para casa em segurança. 

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  8. Obrigada. Limitei-me a expressar a minha opinião, o Sapinho foi simpático em destacar. 
    As injustiças e guerras fazem parte desta complexa máquina, e com séculos em cima de séculos de existência, estes episódios fazem-me pensar que pouco evoluímos enquanto sociedade. Em pleno século XXI e mais parece que pouco nos distingue dos primitivos homens das cavernas. 

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  9. Já não é a primeira vez que a polícia que toma conta do Estádio de Guimarães mete a pata na poça porque não me lembro se foi na época passada ou há dois anos atrás quando um derby do Minho entre as equipas B de Guimarães e Braga houve bronca entre as claques atirando cadeiras um aos outros e até queimando cadeiras e quem teve que resolver o problema foram os seguranças privados também conhecidos como stewards que estavam na proporção de 1 steward para 10 ou 15 adeptos e enquanto uns corriam com os arruaceiros, os outros apagavam as cadeiras que ardiam e a polícia estava metida num dos acessos as bancadas todos borradinhos de medo

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  10. muito boa análise ao que se passou... realmente nada justifica uma violência daquelas... esperemos que haja consequências... (para além das óbvias naquelas crianças que ficaram marcadas, e provavelmente não irão confiar na polícia para a sua segurança...)

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  11. Agora todos clamamos por justiça. Verdade seja dita, todos nós temos direito às nossas explosões emocionais. Mas, profissional com brio, tem de saber controlar as emoções, ainda mais em certas e determinadas profissões, que acarretam responsabilidades públicas e sociais acrescidas. Ao agente em questão, sim, tem de ser responsabilizado e punido pelos seus atos. O mesmo é válido para tantas outras profissões. Há um abuso de poder e autoridade. Nem sequer se pode falar em excesso de zelo, porque não é isso que se vê. Vê-se uma explosão de agressividade sem nada que o justifique. Este agente não representa toda a polícia. E não podemos julgar o todo por uma parte que não cumpriu as suas funções. Ainda assim, o que se seguirá na sequência deste caso pode, e muito, afetar a imagem da polícia perante a sociedade. 
    Boa semana e obrigada pela partilha de opinião. 

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  12. Aguardamos justiça. Para podermos acreditar que ela existe e para podermos aceitar a legitimidade das autoridades policiais. Se nada for feito, é um duro golpe para a sociedade. E será descer um pouco mais nesta degradação de valores cívicos e responsabilidade social.

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  13. Exactamente. Existe o perigo de um mau profissional contaminar toda a classe, por isso é tão importante que o MAI, seja assertivo nas decisões que tomar em relação a este caso. Até breve!

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