O que é demais enjoa, dizia a minha avó
E completa esta ideia a velha máxima popular: no meio está a virtude.
Equilíbrio. É um conceito um tanto ou quanto esquecido nos tempos de hoje. Ou é tudo, ou nada, ou é 8 ou 80, ou é preto ou é branco, e sombras cinza só as de Grey.
Já enjoa na rádio passar de 5 em 5 minutos as músicas da banda sonora do filme As Cinquenta Sombras de Grey. As músicas são lindíssimas, mas a sério, quando começa uma na rádio já só me apetece espetar um garfo nos tímpanos.
As corridas. A sério que não há mais nada? Agora tudo corre. Parece praga. Começam com umas corridinhas tímidas e quando dão conta é maratonas, é provas disto e daquilo, é corridas de manhã, é corridas à noite, é ao sábado, ao domingo, nos feriados, a toda a hora. Quando é para ir trabalhar não vão a correr, aposto!
A febre pela alimentação saudável. Por motivos de saúde, a minha base alimentar sempre foi de mais peixe, legumes e frutas, grelhados e cozidos, muita água, nada de sumos com gás (matam-me o estômago), pouco abuso de sumos, chocolates e outras doçarias ou gorduras saturadas (quem tiver um refluxo gastro esofágico, vesícula sensível, saberá do que falo). Mas agora é a febre pelos produtos sem glúten (morte ao glúten), como se toda a população fosse celíaca, e eu que já estive temporariamente privada de glúten sei bem a ginástica mental e financeira que é para encontrar produtos sem glúten, é a caça desenfreada aos produtos (supostamente) biológicos e naturais, guerra à lactose, aos hidratos, ao diabo a sete. Comem o quê para ir correr??? Eu controlo hidratos, mas porra, eu não corro, nem passo horas no ginásio a fazer musculação e merdas que tais. Se não tenho atividade física para queimar energia, tenho de controlar o que como. É uma equação simples. Agora está aberta a guerra ao açúcar (Ave, reportagem da SIC sobre alimentação): santa inocência acharem que Ice Tea é chá gelado, completamente inofensivo para as crianças. Lanche saudável é um bollicao, ou o kinder delice, diz que tem leite. Ah, mas tem o iogurte a acompanhar. Grego. Com polpa. Nhami. A base do iogurte grego são natas, gordas. Altamente açucarado. Os sumos já não são para dias de festa, são a bebida de todos os dias, de todas as refeições. E agora, ah que horror, tanto açúcar. Pois. Achavam mesmo que era suminho natural de laranjas, colhidas de madrugada nos pomares algarvios e espremidinhas na hora?! Hã hã. Eu sou o Pai Natal.
O vintage. Eu gosto, mas qualquer dia andamos na rua e vai parecer os anos 60 e 70. Vai na volta e ainda me cruzo com a minha avó quando era uma jovem hippie de vestido às flores, e o meu avô com tacões e calças à boca de sino.
As selfies. Eia tanta foto, de tudo. Do fio do cabelo que levanta com a brisa, de perfil com o mar ao fundo, o pé na relva ou na areia, tudo o que se come, tenha açúcar ou glúten (para tirar foto, tudo serve), das sapatilhas néon para ir correr, do top néon que combina com os atacadores das sapatilhas, os corsários com fio néon, exatamente no mesmo tom dos atacadores e do top, os corpos musculados, tonificados, magros, que me fazem pensar que isto poderá ser uma espécie de distúrbio alimentar (e mental) do séc. XXI, porque tal como na anorexia e na bulimia, esta malta continua a ver gorduras. Run, Forest, run. Mas tira selfie!
A zumba. Misturam uma espécie de dança com exercícios aeróbicos e wooow, descobriram a pólvora. Agora é zumba sentão, zumba gold, zumba gold tonic (isto faz-me lembrar os álbuns dos ABBA que era gold qualquer coisa), zumba toning, zumba na caneca (a bem dizer, o original). Eu fico é zumbada.
Podia continuar. Podia. Mas não posso abusar do meu mau feitio. É uma questão de EQUILÍBRIO.
Excelente post!
ResponderEliminarADOREI a espontaneidade, assim como a clareza de opinião.
Ainda há dias, em conversa com uma grande amiga falávamos das novas modas e de como tudo hoje dia, seja pelas redes sociais ou não, se transforma numa realidade tão intensa e muitas vezes, fugaz. Daqui algum tempo... aposto que quase todos esses aspetos da nossa vida de hoje mudaram, e já estaremos a falar em "croquetes de carne como sendo o expoente máximo de uma alimentação saudável" ou em como "o zapping, poderá ser benéfico para o colesterol".. Enfim.
São isso mesmo: modas.
ResponderEliminarObrigada!
Vivemos uma era de excessos. Que queiram correr, comer mais saudável, tirar fotos, sejam felizes. Mas é em dose excessiva, quase doentia. Não vejo prazer em viver essas coisas, vejo paranóia.
tão verídico mesmo!
ResponderEliminarAqui na ilha a moda é correr na serra, o trail é o que está a dar. Não és ninguém se não correres 20 km a subir e descer, nem que para isso não possas parar e tenhas de fazer chichi pelas pernas abaixo (vale tudo menos parar) e beber água de um tubo que levas preso ao pulso. é a puta da loucura!
É o que digo: anda tudo obcecado. Tanta coisa com a vida saudável e vai-se a ver, de saudável tem pouco. Quando se entra em radicalismos, paranóias e comportamentos obsessivos, o saudável perde-se pelo caminho.
ResponderEliminarBem perto de mim tenho pessoas que é todos os dias exercício físico de alta intensidade. Ao fim de semana acordam cedo para ir correr ou andar de bicicleta, passam a tarde no ginásio, comem verdes e sementes e exibem os corpos no instagram e facebook aplaudindo os resultados, mas sublinhando que ainda há gordura a queimar. A sério??? Esta gente nem vive. Não vai ao cinema, não vai a uma festa, não come um gelado sem pensar que vai ter de triplicar o treino. Medo!
Muito medo mesmo... o pior é que muitas "marcas" aproveitam-se da "palermice" das pessoas e lançam tudo com "light", e outras frases apelativas e as pessoas caem logo...e compram porque as famosas comem, compram porque no trabalho as colegas têm... enfim...
ResponderEliminare agora vou ali comer um pãozinho quentinho com manteiga que está na hora do lanche!
Nem de propósito, sai amanhã um post sobre essa da alimentação... haja paxorra!
ResponderEliminarxoxo
cindy
Fico a aguardar
ResponderEliminarSem dúvida que há muito marketing a aproveitar a nova moda. Mesmo os produtos vendidos como BIO, mais caros que os demais, desconfio que o BIO é muito relativo.
ResponderEliminarBiológico mesmo é ir aos produtores locais que vendem nos mercados e praças, e mesmo esses usam sulfatos e outras coisas para proteger a produção de possíveis pragas.
Já o belo pãozinho com manteiga é um clássico. Dos bons!
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