A Cabana do Pai Tomás: um livro que nos marca como uma bofetada


Quando leio é difícil dissociar todo o knowhow literário que tenho. Há sempre, para além do olhar de leitor, um olhar de técnica literária, de crítica literária, que analisa de vários prismas, várias características e técnicas usadas.


Ora, do ponto de vista técnico, chamemos-lhe assim, o tipo de narrativa não me seduz. Faz-me lembrar os romances de cordel, a escrita sensacionalista, simplista, um diálogo aberto com o leitor, que me parece técnica forçada para justificar as mudanças narrativas bruscas, acções e personagens paralelas que ora ficam esquecidas, ora saltam para o centro da atenção do leitor sem que haja um fio condutor. Do ponto de vista de crítica literária, achei o tipo de escrita ingénuo, rudimentar, quase.


Do ponto de vista do tema, da intenção, da mensagem transmitida através de uma história, bem, a dimensão humana é avassaladora. Mexe connosco. Arrepia. Enerva. Há diálogos de personagens que dá vontade de saltar para dentro das páginas e espancar a alminha nojenta que vomita barbaridades. Saber que tudo aquilo foi real, que aconteceu, que houve coisas bem piores que nem são descritas, é desolador. Mas há a mensagem de esperança. Os que começaram a mudar mentalidades, a lutar pelos direitos dos negros, a encará-los como humanos que são. 


Recomendo a leitura por ser um clássico. Por nos confrontar com factos históricos desumanos, mas que se analisarmos bem, nem se passaram assim há tanto tempo, nem estão de todo erradicados. 


 


E siga mais um na lista. Venha o próximo, que vai ser ligeirinho para cortar a pesada onda de leitura.

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