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A mostrar mensagens de julho, 2021

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Notas soltas

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Ontem fez um ano que recebi um telefonema do meu pai. Pedia que o levasse ao hospital que não aguentava mais. Há um ano que o vi sair de casa pelo seu pé, ainda que muito enfraquecido, e não voltou a entrar. Sinto que esta semana vou estar em loop a reviver pelas memórias tão frescas todo o processo desde que ele entrou nas urgências, foi ao bloco operatório, houve um vislumbre de esperança que ia ficar bem, para haver uma recaída sem retorno. Segunda ida ao bloco operatório, de onde saiu em coma induzido, para não mais acordar. Foram dias numa contagem decrescente angustiante, em que ouvia o que a equipa médica ia dizendo de todo o quadro clínico, até vir a sentença final. As memórias são tão frescas como se tivesse sido há um mês e foi há exatamente um ano. E um ano parece tão pouco tempo e, simultaneamente, uma enormidade de tempo. Misturam-se cá dentro estas diferentes perceções do tempo, que é ele igual e si próprio, impávido e sereno, implacável na sua passagem. É só tão parvo es...

O Yoga e eu

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Artigo completo aqui , revista Saber Viver   Houve um tempo em que eu olhava para o yoga e achava que não era para mim. E não era. Naquele tempo. Demasiado parado e eu precisava de gastar energia em coisas mais mexidas, não tinha paciência, não tinha flexibilidade, e outras inúmeras coisas que me passavam pela cabeça. Havia aulas de yoga na escola de dança que frequento, e não me faltaram oportunidades e convites para experimentar. Adiei sempre. No confinamento dei uma oportunidade ao yoga. E havia algo diferente. Em mim. Comecei a apreciar muito mais os movimentos fluídos que respeitam o corpo em vez de o estar a esforçar para além dos limites em aulas de cardiofitness, nos moldes de 40 segundos em modo intensivo a fazer um exercício e 10 segundos de repouso. Repetia. Várias Séries. Múltiplas dores musculares. Um andar novo. Ou não andava de todo.  No yoga aprendi a respirar. A centrar-me. A estar presente e focada. A parar. A aceitar os limites. A perceber que os limites são diferent...

Ponto de vista do utilizador

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Estou aqui com cócegas nos dedos para libertar uns quantos "what the fuck" que me surgiram durante a hora de almoço, quando entre uma garfada de salada e uma dentada numa  coxinha chicken style  (é o que dá andar viciada em vídeos de compras de supermercado que brotam como cogumelos no YouTube), ia pondo o olho no Instagram.  Eu não sou digital cenas especialistócoiso. O que vou escrever é meramente a minha opinião, ponto de vista do utilizador, aquele ser comum, banalíssimo, do mais ordinário que podem imaginar, que vegeta nas redes sociais quando coloca o cérebro em modo pausa (nem sempre consegue, mas é o objetivo).  Ora bem, qual é o sentido das redes sociais, especificamente Instagram pois é lá que vejo estes fenómenos? Publicar cenas da sua vidinha. É assim uma espécie de reality show, com muito show e pouco reality. Uma cena de real life in real time (quase, ou é um pouco a intenção). Regra geral, quem publica um prato de comida que fez em casa ou comeu num qualquer re...

A hipocrisia das redes sociais

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Há umas semanas atrás estive a cuscar o site da Shein, secção swimwear. Coincidência ou não, na mesma altura apareceu-me nas sugestões do Youtube um vídeo, acabadinho de publicar, de uma (creio) youtuber nacional no qual experimentava e dava o feedback de bikinis comprados no Aliexpress. Fui ver pela curiosidade de perceber qual seria a opinião e como vestiam estes bikinis comprados por via destas plataformas de vendas online. Se venho falar do que achei dos ditos bikinis? Nem por isso. Talvez o facto de não ter voltado a ir espreitar e tão pouco arriscar uma encomenda fale por si. O que me fez uma espécie de reação visceral ao dito vídeo foi a youtuber em apreço pedir desculpa aos seus seguidores e pedir a sua compreensão porque não estava na sua melhor forma física, que se encontra em processo e emagrecimento e portanto, "pessoal, tenham lá calma com as críticas que eu sei que não estou no meu melhor" (parafraseando). E só me passou assim uma coisa pela cabeça... A sério? A...

A coragem (ou loucura) de ser diferente

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Nos últimos meses vi-me num papel onde nunca me tinha imaginado. Tive de assumir o lugar do meu pai na questão das partilhas da herança indivisa após a morte do meu avô. O meu pai deixou tudo preparado e assinado. Tinha contratado uma nova advogada para tratar do assunto, já que o advogado do meu avô assobiou para o lado e fez-se de esquecido. O meu pai andava muito ansioso e inquieto para resolver as coisas com o irmão. E morreu antes de sequer conseguir que o irmão se pronunciasse sobre o assunto. Eu consegui sentar-me com o meu tio. E conversámos muito. E partilhámos muitas histórias. E ficámos a saber de coisas que não sabíamos. E emocionámo-nos muito. E ouvi o meu tio falar de arrependimento, daquele arrependimento de quem viveu muitos anos nas suas crenças sem se aperceber que a verdade nunca é absoluta, que há diferentes perspetivas, que há nuances da história que ficam entrelinhas ou deliberadamente escondidas. Aquele arrependimento de quem percebe que houve tanta manipulação d...